sexta-feira, 17 de maio de 2013

Triste manhã de maio

Vi ao longe de soslaio

Muito cedo a contemplar

Um amargo a notar

O que o vento derrubou

Espalhados pelo chão

Sapês, folhas e um galhão

Meu pinheiro não tombou

Mas também não deu pinhão.

Autor: Paranã






Lange de Morretes
Frederico Lange de Morretes, nascido em Morretes no ano de 1892, foi pintor, desenhista, gravador e professor. Estudou pintura aos 13 anos com Alfredi Andersen, e depois, foi à Alemanha, onde estudou durante cinco anos artes gráficas em Leipzig, e ,ais cinco anos na Escola Superior de Belas Artes de Munique. De volta ao Brasil em 1920, deu aulas na Escola Normal de Curitiba (hoje Instituto   de Educação do Paraná) e fundou a Escola de Desenho e Pintura onde lecionou até 1932. Ao lado de João Turin e João Ghelfi, criou o Movimento Paranista. São dele também os os pinhões estilizados geometricamente que vieram a compor as calçadas paranaenses, além da descoberta de um novo espécime de molusco, em seus estudos de malacologia.

quinta-feira, 16 de maio de 2013





Minha terra tem verdes pastos, verdes campos  e floresta,
    Me criei assim, criando gado, quebrando o chapéu na testa,
                 Durante seis dias da semana a lida é bruta e no domingo faço festa,
          Eu me pilcho diariamente e sempre tem um asno que contesta,
                     No meu costado trago um par de livros pois a História é minha mestra.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

O VELHO TROPEIRO



Hoje Velho...
Cavalgando no lombo do cavalo
Me lembro da vida que tive;

Do gado que guiei ao toque do berrante
Das gurias que amei
E delas fui o melhor amante,
Das cidades que fundei,
para ter uma cama quente e aconchegante;

Do mate que bebi,
e esquentou meu corpo.
do Vanerão que dancei, 
das esporas que usei,
E os tablados que arranhei;

O Churrasco que alimentou
meu corpo
O chimarrão que esquentou
minha alma;

No lombo do cavalo,
encontrei meu companheiro,
que me segurou quando tanques estouravam na estrada.
Que me flutuou quando
um banhado atravessei,
e me esquentou quando um teto não encontrei.
E com ele
 a fria geada aguentei;

Galhos cortei,
matas adentrei,
e na sombra da Araucária
Me deitei;

Pela Praia, com o gado cavalguei
junto com o muar,
e ao meu destino finalmente cheguei.
O gado engordei,
fui para a cidade,
Encontrei uma polaca e me apaixonei,
e disse a ela: " Não chores Chê, um dia voltarei!"

Voltei pra estrada,
pra fria serra gelada.
Com o mate na Cuia
a gaita no colo, 
E o Paraná no peito.


O Gado eu vendi,
mas pra Curitiba eu voltei;
E com a Polaca
 me casei.


domingo, 28 de abril de 2013

Memória a Araucária

Vejo uma Araucária; 
solitária pela janela; 

Tomando sozinha uma fria geada, 
e me pego pensando 

Na tristeza que abete sobre ela. 
ao ver suas irmãs e irmãos.

Cortadas e ostentadas 
em restaurantes e salões. 

Tempos atrás; 
em suas sombras, 


Nascia a Erva Mate; 
que esquentou o tropeiro, 
o jesuíta, maragato e o garimpeiro; 

Seus galhos 
serviu como refúgio da geada, 
Para os Xetás, Xoklengs e Guaranis, 
Até para os Tupys e Tupiniquins. 

Mas hoje, 
A grande e forte Araucária, 
Toma sozinha,
Essa mesma fria geada.


quinta-feira, 25 de abril de 2013

24 de abril - Dia do chimarrão


Nota: A postagem em questão não quer oferecer uma rixa ou coisa do gênero entre paranaenses e sul-riograndenses. A cultura gaúcha é única e além do mais, é necessário comemorar essa tradição e esses costumes, tão comuns do sul do Brasil e que a história mostra em suas páginas.



O dia 24 de abril de 2003 é a data que marca o dia do chimarrão no Rio Grande do Sul. Tal data marca a lei 11.929 de 20 de junho de 2003, estabelecendo o chimarrão (e o churrasco) como símbolos do Rio Grande do Sul.
Com relação a isso, é necessário voltar nas páginas da história da erva-mate e redescobrir suas origens e os caminhos que levaram o chimarrão até o Rio Grande do Sul. Um dos pontos de partida, e por que não dizer, um ponto importante, é o consumo de erva-mate pelos indígenas paranaenses e que mais tarde foram alvos da catequização dos jesuítas espanhóis na Província del Guayrá, atual cidade de Guaíra no Paraná. 



É necessário também destacar que as missões jesuíticas foram fortes também no Paraguai (definindo mais tarde o nome científico da erva-mate pelo explorados francês Auguste de Saint-Hilaire - Ilex-paraguariensis).
Em sua História econômica do mate, o autor Temístocles Linhares discorre os pontos principais caminhos da erva-mate, até ela se tornar símbolo de uma economia poderosa no século XIX e colocando em evidência o então recém-nascido Estado do Paraná, como principal produtor, exportador e difusor da erva e da bebida tão bem acolhida até hoje pelos sulistas brasileiros (e argentinos, uruguaios, paraguaios, chilenos).
Voltando novamente no tempo, foram os índios tupi-guarani que primeiro usaram a erva para bebida. Usavam um porongo para depositar a erva, colocavam água quente ou fria e utilizavam de um canudo de taquara com um engenhoso trançado na base para sorver a bebida da erva. A partir disso, o uso foi difundido pelos jesuítas (que num primeiro momento a condenavam e lhe deram a alcunha de "erva-do-diabo", uma vez ela sendo diurética, fazia com que os indígenas saíssem no meio da missa para urinar, um ato desrespeitoso na visão deles), bem como a produção que só cresceu e se tornou uma atividade comum no Paraná, principalmente no litoral.
A economia ervateira paranaense por si só se consolidou no século XIX, quando os engenhos de mate se fizeram frequentes no litoral (Morretes, Antonina) e no planalto, com destaque para Curitiba, região que abrigava muitos ervateiros. Um dos produtores que obteve destaque na economia ervateira no século XIX foi Ildefonso Pereira Correia, o Barão do Serro Azul.
O Barão do Serro Azul foi um homem à frente do seu tempo. Aliou tecnologia e sua visão inovadora sobre negócios e economia. As primeiras máquinas de beneficiamento de erva-mate foram feitas pelo engenheiro Francisco Camargo Pinto - bolsista do Imperador D. Pedro II - que estudou na Europa e trouxe inovações tecnológicas para o Brasil. As novas máquinas de beneficiamento de mate (até então o mate era ainda produzido de forma "primitiva" utilizando a técnica de Francisco Alzagaray, argentino, que por volta de 1820, chegou à 5ª comarca de São Paulo, até então, para ensinar as pessoas, o real beneficiamento de mate) trouxeram uma produção mais rápida e em larga escala, em relação a produção antiga, utilizando-se pilões e moinhos. 

   Barão do Serro Azul

Grande produção, era necessário exportar. No começo, as exportações de erva-mate eram feitas pelos tropeiros parananenses, que a transportavam em surrões (bolsas feitas de couro, que quando secas, condicionavam melhor o mate para ser transportado) no lombo de burros de carga pelos caminhos traçados pelas tropas até chegar ao porto de Paranaguá e de lá, ser exportado para a Argentina (nosso principal consumidor) e para outros países como Chile e Uruguai.
Mais uma vez, com o advento da tecnologia, surgiu a estrada de ferro por volta dos anos 1850, o que facilitou ainda mais o transporte de erva-marte, agora acondicionada em barricas de madeira e transportadas com mais agilidades e escoadas pelo porto de Paranaguá.

                                                            Rótulos de barricas de erva-mate 

Em linhas gerais, o mate proporcionou a emancipação politica do Estado paranaense do Estado de São Paulo (1853), colocou o Paraná (e por que não dizer o Brasil) em evidência na exportação do produto para a Argentina e difundiu a bebida originária dos indígenas do Paraná espanhol para o restante do sul do país.
Se chegamos a uma conclusão sobre isso, é possível perceber que a erva-mate e o chimarrão são tipicamente paranaenses, bem como o churrasco e as tradições gaúchas levadas pelo sul do Brasil através dos tropeiros que saíram daqui do Paraná.
As páginas da história paranaense são ricas e cheias de detalhes preciosos sobre a erva-mate. Deixemos de lado as rixas e sorvemos juntos um belo trago de chimarrão!

Habemus Mate!

Para saber mais sobre a erva-mate, recomenda-se:

LINHARES, Tenístocles. História Econômica do Mate. Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1969.
COSTA, Samuel Guimarães. A Erva-Mate. Curitiba: Editora UFPR, 1989.
PADIS, Pedro Calil. Formação de uma economia periférica: O caso do Paraná. Curitiba: IPARDES, 2006.
SANTOS, Carlos Roberto Antunes dos. História da Alimentação no Paraná. Curitiba: Editora Juruá, 2007.
CARVALHO, Marcelo da Silva. Economia ervateira paranaense: O papel do Barão do Serro Azul (1878-1894). Curitiba: Trabalho de Conclusão de Curso - Graduação em História - Pontifícia Universidade Católica do Paraná, 2011.

sábado, 20 de abril de 2013

Lembrança aos índios Paranaenses

Em minha simples lembrança ao dia do índio, queria fazer uma recordação as tribos paranaenses como o Xetá e o Xokleng, que tiveram seu habitat devastado pela plantação de café e cana de açúcar. 
O Xetá que habitava a serra dos dourados, região próxima a Umuarama, de todo um povo que existia, com traços únicos, hoje são apenas 4 sobreviventes, uma tribo praticamente em extinção, e se formos ver mais a fundo, diferentemente de outras tribos não tiveram direito a terras demarcadas.
O jornal o Estado do Paraná publicou a seguinte frase em 1954: "(...) trabalha-se, luta-se e mata-se por um punhado de terra que sirva para a plantação de cafezais. (...) a madeira não interessa, queima-se a floresta para facilitar os loteamentos..."
E assim foi-se o Xetá, dos primeiros contatos oficiais feitos por Loureiro Fernandes e Vladimir Kozak, na década de 50, eram aproximadamente 250 índios. Segundo os jornais da época, muitos foram sequestrados por fazendeiros e cafeicultores, conforme matéria de um jornal local em 1962: "Lavradores sem terras destroem impiedosamente os remanescentes da tribo Xetá no noroeste do estado. Consta que várias crianças foram sequestradas...".
Na foto, o tcheco Vladimir Kozak junto com índio Xetá.


Vídeo feito pela Universidade Federal do Paraná mostrando os Xetás em seu habitat natural.


sexta-feira, 12 de abril de 2013

Voltando pra casa

Eu nasci lá em Curitiba,
lá pras bandas do Portão,
desde piá me acostumei
ao bom churrasco e ao chimarrão,
é que eu sou curitibano,
eu conheço a gralha azul,
sou do tempo dos pinheiros,
sou do alto Iguaçu.
Eu saí de Curitiba,
eu deixei meu Paraná,
eu deixei a minha gente
vim parar neste lugar.
Onde está a minha gaita,
onde está meu vanerão,
não aguento de saudade,
vou voltar pro meu rincão,
vou voltar pra Curitiba,
vou rever minha guria,
não aguento este calor
pois eu sou da terra fria,
vou correndo, vou agora,
não da mais pra segurar,
tô levando bomba e cuia,
também água pra esquentar.
Quando eu chegar em casa
a polaca eu vou beijar, 
vou levar a piazada
pro passeio pra brincar,
vou-me embora eu já vou saindo,
mande alguém pra me esperar,
vou voltar pra Curitiba
com a geada eu vou chegar.


NETO, A. T. Revista Leite Quente: Passe a Cuia Chê.  Curitiba: Ed. Leite Quente, Ano  I N°02, 1989.