RESUMO
O Paraná como todo o
Brasil e América foi um território dividido entre as potências ibéricas que
desde o século XV faziam empreendimentos marítimos propondo descobrir novas
terras e garantir a colonização das mesmas. Com o Tratado de Tordesilhas, o
Paraná virou uma terra de disputas, pois ambos os países tinham interpretações
diferente do tratado. Essa disputa não ocorreu diretamente por muito tempo, por
aproximadamente cinquenta anos o Paraná foi um território de passagem para
viajantes portugueses e espanhóis, até que em 1554 é fundado o primeiro núcleo
povoador no oeste paranaense, a vila espanhola de Ontiveiros, que dois anos
depois seria trocada de local por ser um terreno inóspito para a saúde, sendo
fundado assim um novo núcleo povoador, chamado Ciudad Real del Guairá, que
viria a ser o centro de colonização espanhola em toda região do Guairá. Os
espanhóis usavam mão de obra indígena através da servidão por contrato para
extrair erva mate e procurarem por pedras e metais preciosos. Em 1570, é
fundado o terceiro núcleo de povoação, chamado Villa Rica del Espírito Santo,
construído com moldes de uma verdadeira cidade, porém por conta de uma epidemia
de varíola também foi transferida de local em 1586. Visto a dificuldade dos
colonizadores de utilizarem a mão de obra indígena, em 1588 chegam ao Guairá os
primeiros padres jesuítas, que dariam a região um caráter missioneiro, atuando
na catequese dos índios e facilitando a utilização da mão de obra dos mesmos
pelos espanhóis. Em 1607, esses padres
são chamados de volta a Assunção para fundação da Província Jesuítica do
Guairá, onde os jesuítas fundariam as primeiras missões jesuíticas, sendo a primeira
delas fundada em 1610, chamada Nuestra Señora de Loreto. Essas missões
prosperam, chegando ao total de quinze em todo o território que hoje compõe o
Estado do Paraná. Porém passam a ser alvo dos paulistas, que utilizavam a mão
de obra do índio, e em 1628, a principal bandeira comandada por Raposo Tavares
dizimou o Guairá, destruindo as missões e levando os índios como mão de obra
para São Paulo. Em 1631, eles voltam novamente e destroem Villa Rica del
Espírito Santo, os espanhóis de Ciudad Real fogem e os jesuítas de duas missões
também conseguem escapar dos bandeirantes, fugindo para o território argentino.
Deixando no Guairá um grande vazio, sem nenhum tipo de colonização.
Palavras-chave: Colonização, Guairá, Missões, catequese,
jesuítas, bandeirantes.
INTRODUÇÃO
Com
o Tratado de Tordesilhas, em 1494, as novas terras descobertas a oeste da linha
imaginária pertenceriam a Espanha e a leste a Portugal. Lembrando apenas que
este tratado foi assinado em seis anos antes das descobertas de terras no
Atlântico Sul, algo que provavelmente dá um indício de que os portugueses já
tinham conhecimento dessas terras. A linha do Tratado de Tordesilhas dividia o
Paraná entre as duas potências marítimas da época, Portugal e Espanha, sendo a
que a última ficou com a maioria das terras do Estado, deixando apenas o
litoral paranaense sobre a administração portuguesa. Porém, como sabemos a
colonização portuguesa no Brasil teve início apenas em 1531, sendo em 1500
apenas a tomada de posse das terras por Portugal, pois neste período os
portugueses estavam mais interessados nas suas colônias na Ásia e no Oriente e
após suas falências e de diversas “ameaças” de outras potências marítimas como
França e Holanda, eles iniciam a colonização de fato em 1531. Neste território
que pertencia aos espanhóis não foi um vazio demográfico, pois ali viviam
diversos índios do tronco linguístico tupi – guarani e Gê, estima-se que viviam
na região em torno de 200 mil índios espalhados em vários agrupamentos, porém
suas culturas não estavam em nível de muito conhecimento, pois possuíam uma
agricultura e cerâmica muito rudimentar, vivendo da coleta de alimentos
silvestres, da caça e da pesca, estavam na idade da pedra polida. O historiador
Jaime Cortesão escreveu sobre o habitat
e a cultura dos índios tupi-guarani:
Nomadismo,
em país tropical rico de cursos de água e de florestas, implicava como modo de subsistência
essencial, a pesca, a caça e a colheita de frutos. Não obstante, é certo que
esses índios exercitavam uma agricultura de queimada, por meio da qual já
tinham selecionado as mais úteis dentre as plantas dessa parte do continente.
Assim, cultivavam, para citar apenas as principais, a mandioca, o milho, o
algodão e o fumo. Estacionados ainda na Idade da Pedra, utilizavam para
confeccionar seus instrumentos apenas a pedra, a madeira e o osso. Nus,
tatuados e enfeitados com penas de aves, viviam em pequenas aldeias de malocas,
dormindo em redes tecidas de algodão. (CORTESÃO, 1966, p.22).[1]
A presença espanhola
A
presença colonizadora espanhola no território paraense tem início na segunda
metade do século XVI, especificadamente em 1554, quando o território formado
pelos rios Paraná, Paranapanema, Tibagi e Iguaçu foram incorporados à coroa
espanhola. O governador de Assunção, Martinez de Irala, enviou uma expedição de
80 homens com a intenção de fundar a vila de Ontiveiros. Porém, em 1524 o
viajante espanhol Aleixo Garcia e em 1542 o conquistador espanhol Álvar Núñes
Cabeza de Vaca já haviam feito expedições partidas do litoral catarinense e
descobrindo as Cataratas do Iguaçu, explorando também o curso do Rio Paraguai e
submeteu algumas tribos indígenas que mais tarde entraram em conflito com
alguns colonos espanhóis chefiados por Irala[1]. Os objetivos da entrada
do governador de Assunção no Guairá são três: primeiro, a ocupação era
considerada estratégica, pensando em estabelecer um porto em Laguna, no litoral
de Santa Catarina, a fim de assegurar está saída para o mar e assim quebrar o
isolamento dos colonos de Assunção. Segundo, o povoamento do Guairá permitiria
defender a províncias das contínuas entradas que faziam os portugueses e ao
mesmo tempo viabilizava as comunicações comerciais com o Brasil, através de São
Vicente, sendo vantajoso tanto para os paraguaios como para os
lusos-portugueses[2].
A
cidade de Ontiveiros chegou a ter grande número de nativos, que viviam sob o
regime de encomienda[3],
porém a cidade teve uma curtíssima duração de apenas dois anos, de 1554 a
1556. Uma nova cidade foi construída em 1557, próxima à foz do Rio Piquiri,
onde hoje se localiza o município de Guaíra e Terra Roxa, pouco acima das
extintas Sete Quedas, chamava-se Ciudad Real Del Guairá, fundada por Ruy Dias
Malgarejo, onde foram transferidos os poucos habitantes que ainda restavam de
Ontiveiros, que desapareceu com isso. Ele mesmo, com 40 homens e 53 cavalos, fundou
a 60 léguas de Ciudad Real uma terceira cidade espanhola no Paraná, em
fevereiro de 1570, nas margens do Rio Ivaí, a chamada Vila Rica Del Espirito
Santo, que recebeu essa nomeação por conta da grande quantidade de pedras com
cristais com rochas (ágatas) que possuía na região. Em 1592, houve uma epidemia
de varíola forçando a transferência de Vila Rica por ordem do capitão Guzman
para a região próxima a foz do Rio Corumbataí, no Ivaí. A principal atividade econômica
realizada na região era a extração de erva mate[4].
Essas
cidades espanholas tinham como grande objetivo subornar os indígenas e garantir
a proteção do caminho do Peabiru, que ia de São Vicente passava na região de
Guairá e ia até o Oceano Pacífico, nas proximidades de Lima no Peru, defendendo
o acesso a Potosí, com suas minas de prata, alvo da cobiça portuguesa.
Figura I: Representação da
planta baixa com remanescentes de Ciudad Real Del Guairá.
Figura 2: Representação da
planta baixa da segunda Villa Rica Del Espirito Santo
Início das reduções
Com
o tempo, esse regime de encomienda gerara
certa resistência nos indígenas, em especial nos índios do tronco Gê, como os
kaingangs que eram mais hostis a dominação espanhola. Para melhor catequizá-los e envolvê-los no mundo
ocidental, o governador Hernando Arias de Saavedra com a autorização do Rei
Felipe III, que buscava ampliar os domínios da região, criou a Província Del Guairá,
também conhecida como República Guarani[1] e chamou a região os
padres jesuítas, dando o comando de extensas faixas de terras. Felipe III foi o
rei no chamado domínio espanhol, entre 1580 e 1640, onde ocorreu a união entre
a coroa portuguesa e espanhola.
Os
padres Jesuítas criaram uma nova maneira de ministrar a catequese, criando
aldeamentos, onde seria mais fácil de proteger o índio e daria uma maior
liberdade maior ao indígena sendo assistido pelos religiosos, que passariam a
história como o nome de missão jesuítica. A primeira região que experimentou o
sistema de Redução Jesuítica foi a do Guairá, que passou a atrair um grande
número de índios que começaram a fugir das encomendas espanholas indo para essa
povoação. As primeiras reduções fundadas foram a Nuestra Señora de Loreto e San Ignácio Mini, criadas em 1610. A primeira situava-se na foz do
rio Pirapó, e passou a ser a capital da Província, onde passou a residir o
superior da Companhia de Jesus da Região. Ao todo foram fundadas 14 missões
principais espalhadas pelos Rios Paranapanema, Tibagi, Iguaçu, Piquiri e Ivaí,
sendo elas Nuestra Señora de Loreto, San Ignácio Mini,
São Francisco Xavier, São José, Nossa Senhora da Encarnação, Santa Maria, São
Paulo do Iniaí, Santo Conceição de Nossa Senhora dos Guanhanhos, São Tomé e
Jesus Maria, essas reduções chegaram a ter em torno de 100 mil nativos, na
maioria guaranis, fazendo prosperar as missões[2]. O sucesso dessas reduções
levou a decadência de Ciudad Real e Vila Rica, pois a mão de obra que vivia ali
preferiu ficar nas reduções, deixando as encomiendas
espanholas sem mão-de-obra para a extração da erva-mate.
Figura 3:
Representação da planta da Missão Jesuítica de Nuestra Señora de Loreto
Figura 4: Representação da planta baixa da
missão jesuítica de Santo Ignácio Mini, segundo Blasi e Airton Manso da Silva.
Organização de uma redução jesuítica
As
reduções eram dirigidas por um missionário, que os índios chamavam de pai-tuya
(pai-velho) e este era auxiliado por um assistente, o pai-mini (pai-novo).
Os
jesuítas procuravam não quebrar a hierarquia com o qual os índios estavam
acostumados. Cada indivíduo no dia do casamento recebia um terreno, o qual era
obrigado a cultivar. Havia propriedades particulares e coletivas, que eram
cuidadas e plantadas em turnos pelos índios, que a chamavam de tupã-bem.
(propriedade de Deus). Havia uma criação coletiva de cavalos, bois e galinhas.
O produto deste trabalho era armazenado em depósitos públicos, onde cada
família recebia o necessário para o seu sustento, sendo limitada a distribuição,
para que as donas de casa indígena não se acostumassem a gastar demasiadamente.
Destes mesmos depósitos também se retiravam o necessário para o culto e o
pagamento de impostos, que eram pagos a coroa espanhola. Os missionários não
introduziram a moeda entre os indígenas, para não despertarem a cobiça.
Figura 5: Maquete da Missão jesuítica de
Santo Ignácio Mini baseada na planta baixa da Comunidade, segundo Blasi e
Airton Manso da Silva, exposta no Museu Paranaense.
Os temores dos lusos brasileiros
Com
o sucesso das reduções jesuíticas gerou temores dos lusos brasileiros de São
Paulo. Entre os principais interesses dos paulistas estava o temor de uma
expansão espanhola para leste, em direção à baia de Paranaguá, a captura de
índios para trabalharem em suas lavouras e o desejo de atingir as famosas minas
de Potosí.
Os
portugueses sempre tiveram a intenção de ter como limite meridional do Brasil,
o Rio da Prata, já os espanhóis desejavam este limite em Cananéia ou até a baia
de Paranaguá.
Com
a expansão das reduções espanholas, que já estavam alcançando o valo do Rio
Tibagi, causou uma preocupação entre os paulistas, também chamados de mamelucos
paulistas[1], que viram como uma guerra
justa, já que ameaçava o Tratado de Tordesilhas. Há tempos que os paulistas
organizavam bandeiras onde percorriam o litoral e o interior a procura de
índios, que eram geralmente presos e levados a São Paulo, onde eram vendidos.
As expedições bandeirantes e o fim das
reduções do Guairá
Os ataques dos bandeirantes paulistas se
tornaram mais frequentes a partir de 1628, principalmente pela omissão do
governador do Paraguai, Luís de Céspedes Xéria, que nesse período procurava
romper o bloco hegemônico do sistema colonial paraguaio, entre o Estado e a
Igreja, deixando os jesuítas enfrentar sozinhos os bandeirantes paulistas. Os
missionários propuseram junto ao provincial do Brasil, D. Diego de Oliveira a
liberdade dos índios, porém não obtiveram ajuda. Mesmo sem apoio das
autoridades paraguaias, e sem apoio das autoridades brasileiras, os jesuítas
mantinham fiéis as ordens vindas de Roma[2].
Os problemas envolvendo os bandeirantes
paulistas não era novidade no Guairá, como já citado anteriormente, iniciaram a
ter mais força a partir de 1611, quando o governador de São Paulo, Luís de
Souza, ordenou que os caciques de aldeias próximas a São Paulo fossem buscar
índios parentes nos sertões do Guairá, para trabalharem nas minas portuguesas.
O padre Montoya cita como era a vila de São
Paulo e como eram os habitantes dela:
a Vila
de São Paulo acha-se fundada ao Sul, no lugar mais avançado terra a dentro de
toda aquela costa. Dista 16 léguas do mar e está fortificada com uma serra
muito alta, que chamam de “Panamá Picada”: o que quer dizer lugar donde se vê o
oceano. Tão empinada é aquela serra, que bastariam quatro homens para impedir a
passagem a grandes exércitos. Os moradores daquela vila são castelhanos,
portugueses e italianos, e gente de outras nações. Aos quais ali agregou a
vontade de viverem com liberdade e desafogo, e sem qualquer aprêmio da justiça.
É seu “instituto” (norma sagrada) destruir o gênero, matando a seres humanos,
se estes, para fugirem da miserável escravidão em os põem, lhes escapam. Passam
dois ou três anos nesta caça de gente, como se fossem besta ou bichos. Por
vezes estiveram-no de dez a doze anos e, voltando às suas casas, acharam filhos
novos, provenientes daqueles que, pensando já mortos e a eles próprios, tinham
se casado com as suas mulheres, mas trazendo eles consigo os que haviam
engendrado na selva. (MONTOYA, 1997, p.141-142)
Os
moradores de São Paulo eram conhecidos pelos jesuítas e índios da região como
mamelucos[3], e a partir de 1628
passaram a atacar as missões dos Guairá com verdadeiros exércitos,
principalmente a bandeira liderada por Raposo Tavares, organizada em São Paulo
no final de 1628 com 69 paulistas, 900 mamelucos e 3.000 índios. Além do
próprio Raposo Tavares na liderança da bandeira, também estavam presentes o seu
irmão Pascual e seu sogro, Manuel Pires[4].
Imagem 6: Modelo de armas
utilizadas pelos bandeirantes paulistas, exposta no Museu Paranaense.
A
primeira missão devastada pelos bandeirantes, ainda em 1628, foi a missão de
Encarnación, onde todos os homens foram presos e levados como escravos. As crianças,
velhos e os mais fracos foram todos massacrados pelo caminho[1]:
entrou
essa gente, pior que “Alarbes” em nossas reduções: cativando, matando e
despojando altares. Fomo-nos com pressa três padres rumo a seus ranchos e
alojamentos, onde já retinham muita gente presa. Pedimo-lhe que nos devolvessem
os que haviam cativado, pois não eram poucos os que possuíam acorrentados. Como
loucos frenéticos gritaram de imediato, dizendo: “Prendam-nos! Predam-nos, pois
são traidores!” Juntamente dispararam alguns arcabuzes, ferindo oito ou dez dos
índios que nos acompanhavam. Morreu um deles, ali mesmo, devido a um balaço,
que lhe deram numa das coxas. O Pe. Cristovão de Mendoza saiu ferido de um
flechaço. (MONTOYA, 1997, p. 142)
No
ano de 1629, atacaram as missões de Santo Antônio, São Miguel, Jesus Maria, São
Francisco Xavier e São José, algumas dessas missões eram recém- fundadas, sua
destruição é citada por Montoya:
pouco
depois entraram a som de caixa e em ordem militar nas duas reduções de Santo
Antônio e São Miguel, destroçando índios a machadadas. Os pobres dos índios com
isso se refugiaram a igreja, onde os matavam – como no matadouro se metam vacas
-, tomaram por despojo a modestas alfaias litúrgicas e chagaram mesmo a
derramar os (santos) óleos pelo chão. Entraram no aposento de um dos padres,
prometendo-se a sim mesmos encontrar grande tesouro, mas acharam apenas duas
camisas, feitas em pedaços, e uma sotaina de algodão, muito velha. Em vez de se
edificarem à vista da pobreza daqueles homens apostólicos, fazendo “bandeiras”
daqueles panos as mostraram aos índios. Indo ditos dois religiosos acolher-se
ao Colégio ali existente e próprio da Companhia de Jesus, anteciparam-se-lhes
alguns civis alguns civis, que lhes fecharam as portas com ruído e vozerio estranho
e os levaram presos com ordem de juízes, a que ali chamam de “câmara”. Foram
fechados na casa de um secular, em que estiveram retidos com guardas, dando-se
tudo com evidente desacato da dignidade sacerdotal e esperando eles, os padres,
ainda outras e maiores afrontas a serem sofridas por Deus e por suas ovelhas.
(MONTOYA, 1997, p. 143-145)
Figura 7: Quadro "Combate aos Botocudos" de Jean Baptiste Debret retrata os bandeirantes paulistas em ação.
Em
seguida, o padre Montoya, narra a entrada dos bandeirantes paulistas na missão
de São Francisco Xavier:
fizeram
com mão hostil a sua entrada na redução de São Francisco Xavier, povoado de
muitos moradores, onde desde muito tempo se achava colocado o Santíssimo
Sacramento. Bem informados a propósito das crueldades destes “alarbes”, seus
vizinhos se meteram em grande número nos bosques, indo para lá em companhia de suas
mulheres e filhos, e dali saindo às suas próprias plantações em busca de
alimento. Nisso topavam, para que lhes dissessem onde tinham deixado sua
“chusma” ou gente, em cuja procura em seguida iam, levando-a a seus palanques
ou paliçadas. Em tais ocasiões não deve opor-se-lhes resistência, porque,
usando de um alfanje, coram a todos a cabeça ou lhes abrem as entranhas, a fim
de amedrontarem aos demais. Saindo um deles da paliçada, pôs-se a incendiar
morosamente uma casa de palha, pegada à igreja. Logo que ela começou a queima,
principiou ele gritar: “Sejam-me testemunhas de que padres são incendiários!”.
Acorremos logo, para apagar o fogo e defender a igreja das chamas.” (MONTOYA,
1997, p.146 - 147)
Os
bandeirantes paulistas eram tropas mercenárias, que agiam por conta própria,
não comprometendo assim os portugueses e nem os espanhóis, os quais não
aceitavam a existência dessas missões jesuíticas. Para os portugueses, devastar
o território do Guairá era um modo indireto de desgastar o domínio espanhol, evitando
assim uma guerra direta entre as duas coroas. Por consequência, após destruírem
a maioria das missões jesuíticas do território do Guairá, os paulistas olharam
para as duas cidades espanholas na região, Ciudad Real del Guairá e Villa Rica
del Espiritu Santo, visto que as duas cidades estavam praticamente expostas,
começaram a planejar a destruição desses núcleos de povoação.[2] Segundo Parellada[3], o Governador do Paraguai,
em 1630, expediu uma ordem proibindo que os espanhóis de Villa Rica e Ciudad
Real não auxiliassem com armas de fogo as missões jesuíticas.
Ainda
faltavam duas missões jesuíticas não destruídas pelos bandeirantes, sendo elas
Nuestra Señora de Loreto e Santo Ignacio Mini, e após a invasão da missão de
São Francisco Xavier, os sobreviventes das povoações próximas a essas missões
se refugiaram exatamente nas duas primeiras missões. “Todos os daqui nos foi
possível fazer fugir, enviamos-los a Loreto e Santos, que eram os únicos de que
treze povos não se haviam atingido.” (MONTOYA, 1997, p.148)
O
padre Montoya conseguiu juntar 12.000 índios nas duas missões, e com 700 balsas
conseguiram transportar esses índios, descendo os rio Paranapanema e Paraná, e
se estabeleceram no território da Província de Missiones, no noroeste
argentino. O padre Montoya narra à fuga
dos jesuítas da Província do Guairá:
causava
espanto verem-se, por toda aquela praia, ocupados os índios em fabricarem
balsas, que importam na reunião de duas canoas ou de dois troncos grandes de
madeira, cavados a modo de barco, sendo que sobre elas se constrói uma casa bem
coberta, e resistente à água e ao sol. O ruído das ferramentas, a pressa e
confusão, davam a impressão de aproxima-se o juízo final. E disso quem poderia duvidar, vendo seis ou
sete sacerdotes, os que ali nos achávamos consumir o Santíssimo Sacramento,
dependurar imagens, consumir os óleos (sagrados), recolher os ornamentos,
desenterrar três corpos de missionários insignes que, ali sepultados,
descansavam, para que os que em vida nos haviam acompanhado nos trabalhos,
também nos fizessem companhia neste “ultimo” ou mais recente e não ficassem
naqueles desertos? Em suma, vendo-os desamparar igrejas tão lindas e suntuosas,
que deixamos bem cerradas, para que não convertessem em esconderijo de
feras?!.Este espetáculo foi tão horrendo e calamitoso, que o céu não desse
sinais ele próprio de sentimentos dolorosos através de cometas, mas na terra,
por meio de uma imagem pincelada, do tamanho de duas varas encontradiça numa
redução do Paraná e distante das que abandonávamos mais de cem léguas: um
lugar, aliás, em que tínhamos posto a mira final der nossa viagem – retirada.
Fabricaram-se, em tempo brevíssimo 700 balsas, sem contar canoas soltas em
quantidade, embarcando-se nelas mais de 12.000 almas, as quais importavam nas
únicas a escaparem deste tão tempestuoso dilúvio. (MONTOYA, 1997, p. 151-152)
Figura 8: Quadro “O grande êxodo” de Euro
Brandão mostra a fuga dos jesuítas do Guairá, exposto no Museu Paranaense.
O
padre Montoya também narra a chegada dos bandeirantes paulistas e a reação
deles ao encontrarem ambas as missões despovoadas:
apenas
havíamos viajado dois dias rio abaixo, quando nos alcançaram alguns índios,
retardatários em sua partida. Deles soubemos como aquele inimigo tão pernicioso
ficou tomado de fúria ao ver-se burlado. É que teria bastado dar-se um pouco
mais pressa, para na certa apanhar-nos e conquistar uma presa tão boa ou rica. Chegaram os paulistas ao “pueblo” já despovoado,
investiram contra as portas dos templos e, encontrando resistência em abri-las,
por estarem bem trancadas, fizeram-nas em pedaços. Diga-se que o lavor e
formosura das mesmas podia ter feito tremer a sua mão atrevida, uma vez que não
movera a ciência de que se mão atrevida, uma vez que não os movera a ciência de
que se tratava de templos, em que por tantos anos Deus tinha sido reverenciado.
Entraram eles naqueles templos em tropel e com algazarra, investiram contra os
retábulos (dos altares), derrubaram as suas colunas, deram com elas por terra
e, aos pedaços, levaram-nas para cozinhar as suas comidas: ação (detestável)
essa, porque eles mesmo confessaram a alguns religiosos que, depois de
praticada coisa tão bárbara, as carnes lhes temiam face a seu atrevimento. (MONTOYA,
1997, p.152)
Também
é narrado por Montoya, uma armadilha feita pelos espanhóis de Ciudad Real del
Guairá, no rio Paranapanema, onde haviam construído um forte visando impedir a
passagem dos jesuítas, possivelmente para entregá-los aos bandeirantes
paulistas e impedirem uma possível destruição de sua cidade:
voltemos
agora à nossa frota de balsas que, ao que parece, ia navegando segura de
inimigos, deixados para trás. Veio-nos contudo, então o aviso de que os
espanhóis, moradores de Guaíra, estavam nos aguardando num espaço estreito e
perigoso, próprio do célebre Salto do Paraná, em, cuja ribanceira eles haviam
levantado uma fortaleza de troncos, visando, impedir-nos a passagem e cativar.
Com isso voltei a meus companheiros, para nos consultarmos sobre o caso, que a
todos causou aflição e dor, vendo-se perseguidos e atalhados pela má fortuna,
que por todos os lados deles queria fazer a sua presa. (MONTOYA, 1997, p. 154)
Após
grande negociação feita pelo Padre Montoya, os espanhóis liberaram os jesuítas
para continuarem sua viagem:
julgaram,
pois, muito injusto seu modo de agir e assim, enviando-nos mensageiros,
pediram-nos que lhes déssemos prazo e segurança, para se retirarem daquele
palanque. Com isso tomamos conta daquele posto, em que foi preciso abandonarmos
as canoas. Porque dali em diante faz-se inavegável o rio, devido à queda d’
água que forma tais redemoinhos, que a vista se nega de observá-los pelo temor
que inspiram. Tendo ultrapassado já aquele empecilho, tratamos de seguir o
nosso caminho por terra. Cada alma viva recebia a sua carga, assim os homens,
mulheres e crianças, acomodando sobre suas costas as alfaias e provisões
alimentares. Picamos daquilo que tinham ouvido, os espanhóis passaram a ter da
própria dureza, visto que não se viam seguros no forte e pelo fato de lhes
parecer estarem perdidos. E, quando a consciência aperta os cordéis, a verdade
se apresenta muito evidente. (MONTOYA, 1997, p.156)
Dos
12.000 índios levados por Antônio Ruiz de Montoya, apenas cerca de 8.000 índios
conseguiram chegar à região do noroeste argentino, onde seriam reerguidas as
missões[1].
Os
espanhóis de Ciudad Real del Guairá e Villa Rica sofriam pela pobreza desde
1628, havendo falta de alimentos e de índios para trabalharem na extração de
erva mate. Após os bandeirantes paulistas terem destruído as missões jesuíticas
atacaram em 1632 as duas cidades. A primeira delas foi Villa Rica, que foi
sitiada por três meses e seus moradores fugiram para a região mais ocidental do
Paraná e outros foram para São Paulo. Os espanhóis de Ciudad Real del Guairá
abandonaram a cidade temendo os paulistas, deixando o Guairá sem nenhum núcleo
de colonização europeia, sendo apenas uma região de trânsito para portugueses
vindos de São Paulo[2].
Mesmo
o Guairá segundo o Tratado de Tordesilhas sendo de posse da Espanha, os
próprios espanhóis foram expulsos de suas terras. O que antes era chamado de
“República Guarani” ficou apenas sendo um vazio demográfico, sem nenhum núcleo
populacional, uma terra vazia a espera de uma nova colonização.
Figura 9: Quadro de Jean Baptiste Debret mostrando índios sendo transportados pelos bandeirantes paulistas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partindo de toda abordagem feita neste
trabalho sobre a presença jesuítica na Província do Guairá, ficou claro que as
bibliografias e documentos pesquisados nos mostraram o quão forte foi a
presença da Companhia de Jesus na região que compreende hoje o Estado do
Paraná. É importante destacar que a Província Jesuítica do Guairá foi à
primeira tentativa de reunir os indígenas catequisados em povoados fixos sob a
coordenação dos jesuítas e das lideranças indígenas. Até então o índio era
visto pelos portugueses e espanhóis apenas como uma mão-de-obra disponível. Tal
o sucesso desse modelo de missão jesuítica, que ficou conhecida como uma
República Guarani, onde o cidadão não era o espanhol ou o jesuíta, era índio
catequisado, que tinha nesse local o seu novo habitat, a sua nova nação.
Ao longo de todo o trabalho, deixa
transparecer a ideia que os jesuítas realizavam um trabalho apenas em benefício
do indígena, no entanto se pensarmos que os índios tinham uma cultura própria
deles, ritos que eram próprios deles e isso é praticamente extinto pelos
jesuítas, que introduzem a cultura católica, tornando – se dominante a esse
povo. E os próprios jesuítas também se aproveitavam da mão-de-obra indígena,
principalmente na extração de erva – mate. Esse ideal de redução jesuítica não
é apenas para dar à Igreja Católica novos fiéis, mas também é uma estratégia de
submeter esse selvagem.
É importante ressaltar que esse modelo de
redução de índios não se perdeu com a invasão promovida pelos bandeirantes
paulistas em 1632, pelo contrário, foi aperfeiçoado, e os padres que
sobreviveram, incluindo Antônio Ruiz de Montoya, fundam novas missões na região
do Tapes, no atual Estado do Rio Grande do Sul, onde são fundados os Sete Povos
das Missões, que também são alvos de bandeirantes vindos de São Paulo e logo
são destruídas. Também outra região que recebeu padres jesuítas foi a de
Missiones na Argentina, onde esses povoados sobrevivem até o século XVIII.
Podemos perceber pelo conteúdo desse
trabalho, que este modelo de redução jesuítica presente no Guairá e depois no
Tapes e Missiones, é um ideal de civilização que não condizia com a época em
que ocorreu e talvez por isso não tenham prosperado. Enquanto o mundo adentrava
cada vez mais em sua época moderna, surgindo os Estados nacionais na Europa,
uma revolução burguesa na Inglaterra, surgimento de novas colônias, e
exatamente em uma colônia dividida por duas potências, surgem povoados
autônomos, sem responder a nenhum rei ou Papa, que transformavam o que era
visto como o selvagem, num cidadão. Cabendo então o fardo de pacificador aos
portugueses que habitavam São Paulo e pacificar a região, deixando ela
condizente com a época, ou seja, um grande vazio demográfico.
REFERÊNCIAS
BIBLIOGRÁFICAS
CORTESÃO, Jaime
(Org.) Jesuítas e bandeirantes no
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[1] WESTPHALEN, Cecília Maria, BALHANA, Altiva Pilatti. Presença Espanhola
no Paraná- Séculos XVI e XVII. In: Un
Mazzolino de Fiori. v. 3. Curitiba: Imprensa Oficial: Secretaria de Estado
da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 2003, p. 382.
[2]
PARELLADA, Claudia. Resistência e Mudança Guarani: A Linguagem Visual nas Missões
Jesuíticas do Guairá (1610 – 1631). In... Reunião de Antropologia do MERCOSUL.
“Culturas, encontros e desigualdades”. GT48 – Pensando el cambio entre los
Guaranies: situaciones, contextos y escalas de análisis, 9, 2011, Curitiba. Anais... Curitiba, 2011, p. 16.
[1]
LUGON, Clóvis. A república comunista
cristã dos guaranis, 1610 a 1768. 3ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977,
p. 46.
[2]
LUGON, Clóvis. A república comunista
cristã dos guaranis, 1610 a 1768. 3ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1977,
p. 51.
[3]
PARELLADA, Claudia. Resistência e Mudança Guarani: A Linguagem Visual nas Missões
Jesuíticas do Guairá (1610 – 1631). In... Reunião de Antropologia do MERCOSUL.
“Culturas, encontros e desigualdades”. GT48 – Pensando el cambio entre los
Guaranies: situaciones, contextos y escalas de análisis, 9, 2011, Curitiba. Anais. Curitiba, 2011, p. 16.
[1]
Mameluco – mestiço geralmente filho de pai português e mãe índia, caboclo que
dominava a língua portuguesa e o tupi guarani. Era como os padres jesuítas
chamavam os paulistas.
[2] SCHALLENBERGER,
Erneldo. O Guairá e o espaço
missioneiro: índios e jesuítas no tempo das missões rio platenses. Cascavel:
Coluna do Saber, 2006, p.82.
[3]
Nome dado pelos portugueses, aos mestiços do Brasil.
[4] WESTPHALEN, Cecília Maria, BALHANA, Altiva Pilatti. Presença Espanhola
no Paraná- Séculos XVI e XVII. In: Un
Mazzolino de Fiori. v. 3. Curitiba: Imprensa Oficial: Secretaria de Estado
da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, 2003, p. 381.
[1]
LUGON, Clovis. A república
comunista cristã dos Guaranis, 1610 a 1768. 3.ed. Rio de Janeiro: Paz e
Terra, 1977.
[2] PARELLADA.
Claudia Inês. Vila Rica del Espirito
Santo: Ruínas de uma cidade colonial Espanhola no interior do Paraná. Secretaria
do Estado da Cultura, p.7. 1993.
[2]
GADELHA, Regina Maria A.F. Do Guairá à
conquista do Paraná (1553-1680): Subsídios para a história da expansão
territorial do Brasil, in Anais do
Seminário Internacional, Missionários e Espanhóis: o Paraná no Contexto da
Bacia do Prata Séculos XVI e XVII. Secretaria do Estado da Cultura. p.22.,
2010.
[3] Encomienda – Sistema de tarefa tratada com um
chefe indígena, que se responsabilizavam pelos sues comandados. Esse sistema
também responsabilidade pela catequese dos índios, sua proteção e pelo ensino
de sua proteção, o que na prática tornava o trabalho compulsório.
[4]
PARELLADA. Claudia Inês. Vila Rica del
Espirito Santo: Ruínas de uma cidade colonial Espanhola no interior do Paraná. Secretaria
do Estado da Cultura, p.6. 1993.
[1]
CORTESÃO, Jaime. Raposo Tavares e a
formação territorial do Brasil. Lisboa: Portugália, 1966. V.1. p.22.






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